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Resgatando do Islã Para Cristo PDF Imprimir E-mail
23/11/2011 - O missionário Jefferson de França Santos soube que Deus o havia vocacionado para o campo missionário através de um sonho enquanto adolescente. Ao longo do tempo, o Senhor confirmou a Sua vontade na vida do jovem. Depois de um intenso período de busca ao Senhor, o pastor Pedro Fernandes (in memorian), então líder da Assembleia de Deus em Nova Pavuna, no Rio de Janeiro (RJ), resolveu apoiar o seu ingresso em um treinamento para Missões no dia 5 de maio de 2005.

Quando ingressou na Missão Horizontes América Latina, o futuro missionário conheceu Caline Jesus Cerqueira de França, que já exercia a função de líder do seminário. Após o casamento, eles seguiram juntos abrindo fronteiras e militando por três anos em diversos países na América Latina. Durante esse período, os jovens missionários implantaram igrejas e consagraram obreiros para tomarem conta dos convertidos. Os dois são bacharéis em Teologia e Missiologia, além de cursar a língua francesa na Aliança Francesa e Primeiros Socorros na Cruz Vermelha para facilitar a sua entrada na região conhecida como Janela 10/40 – a região do mundo mais hostil à mensagem do Evangelho.

Um dos frutos desse trabalho de evangelização e discipulado é o empresário argelino Fouad, cujo sobrenome foi omitido nesta entrevista por segurança. Nascido em um lar islâmico, Fouad atravessou sérios desafios a fim de provar o Seu amor à Jesus. Assim que a sua família soube que ele que havia abandonado o islamismo, o teve como um proscrito.

Nessa entrevista, pastor Jefferson fala de vocação missionária, conta como ele e Fouad se converteram e das consequências para aqueles que ousam abandonar a fé islâmica, nesses países hostis ao Evangelho, para servir a Jesus.

Pastor Jefferson, como você foi vocacionado para a obra missionária?
Fui chamado quando tinha 12 anos de idade. Nessa época, eu tive um sonho no qual eu estava sendo chamado para embarcar em um navio, e quando já estava no convés, pude observar meus pais em terra, acenando como se estivessem se despedindo. Eu acordei assustado, contei para a minha mãe o sonho e ela me tranquilizou dizendo que se tratava de um pesadelo, sem qualquer significado. O tempo passou e ingressei no curso técnico da Faetec, onde estudei Mecânica e Eletrônica. Aos 18 anos, eu já estava na Faculdade Gama Filho para cursar Mecatrônica, com o processo de estágio como Engenheiro Junior na Ambev em andamento. Foi nesse período que eu tive outro sonho, e lembro perfeitamente que o seu conteúdo foi idêntico ao de seis anos antes, mas dessa vez eu estava dentro do navio, escutei tocar três vezes a sirene e pude ver na chaminé o nome “África”. Também ouvi o Senhor falar comigo da seguinte maneira: “Meu filho, eu tenho chamado você para trabalhar neste continente, com um povo no meio do deserto”. Nesse sonho, eu desembarcava e logo me deparava com um deserto. Logo, percebi que era aguardado pela população de uma aldeia, que estava desejosa de ouvir falar de Jesus. Depois, conversei com meus pais, com quem externei meu desejo de partir para o campo missionário. Meu pai, preocupado, respondeu: “Você tem a sua carreira e profissão, e vai ser efetivado no próximo mês. Eu não eduquei um filho para passar necessidade no campo missionário”. Mas, insisti: “Eu entendo que Deus me chamou. E se isso for verdade, Ele vai falar ao seu coração”. E Deus falou com ele. Acho isso muito importante, porque entendo que devemos sair abençoados por nossos pais e a igreja.

Pastor Jefferson, fale um pouco sobre o Fouad. Sabemos que ele é fruto de seu trabalho entre os muçulmanos.
Eu tive a experiência de trabalhar com muçulmanos e ex-muçulmanos, e logo conheci vários deles em nosso território. Diante desse vasto campo, passei a discipulá-los, mostrar a eles o que significa ser um cristão, e nesse contexto surgiu o Fouad. Ele estava frequentando a Assembleia de Deus e, em um culto de Missões, ouviu falar de meu trabalho. Almoçamos em sua residência e ele, naquele dia, não conteve a emoção, dizendo: “Jefferson, eu sou um ex-muçulmano e preciso conhecer melhor a Deus. Eu estou sendo discriminado nas igrejas porque as pessoas não conseguem entender a minha situação”.

Fouad, como foi a sua infância e como se deu a sua conversão?
Eu sou descendente dos povos do deserto. Meu pai é de raiz Tuareg – como se diz, “sangue azul” – e minha mãe é Beriber, outra cultura. Eu tenho boas recordações de quando era pequeno. Recebi de meus pais e avós uma boa educação familiar. Meu pai e minha mãe instruíram os 13 filhos (9 mulheres e 4 homens) com muita dedicação, pois queriam todos bem instruídos igual a eles. Eu vivi em meio à riqueza desde a minha infância. Via meu pai por várias vezes comprar diamantes, minha mãe também costumava comprar. Sou descendente de uma família de muitas posses em meu país e jamais passamos por privações. Passei a residir no Rio de Janeiro há 10 anos. A minha conversão transcorreu da seguinte forma: eu sou empresário e, em uma de minhas viagens de negócios, conheci uma moça brasileira que muito me chamou a atenção pela beleza e o modo como se comportava. Quando a vi pela primeira vez, disse: “Essa mulher vai ser minha esposa”. Eu queria ganhá-la para a religião mulçumana, mas não consegui, pois havia uma luz na vida dela que me envolveu e era bem maior do que o que eu lhe podia oferecer espiritualmente. O Espírito Santo usou a vida dela para me convencer de meus pecados, fazendo cair as escamas dos meus olhos. Jamais aceitei alguém falar de Jesus para mim. Eu era muito religioso e tinha minha religião como perfeita. Para honra e glória de Deus, eu conheci a graça, o amor, a misericórdia e o perdão em Jesus. Hoje, convertido ao cristianismo, sou casado com aquela moça que me ajudou a entender, pelo seu testemunho, que só Jesus Cristo salva.

Fouad o que acontece se alguém abandona a fé islâmica?
A primeira coisa que acontece é a rejeição da família e dos amigos, que o acusam de traição. Depois da minha conversão, meu pai extremamente irado invadiu meu próprio quarto e jogou todos os meus pertences fora. Ele ficou muito aborrecido comigo porque eu havia falado para minha irmã que só Jesus era o Salvador. Eu não desfruto mais do privilégio de ter um quarto na casa de meus pais. Fui deserdado de minha família e hoje é como se meu nome tivesse sido riscado da genealogia familiar. Estou fora de qualquer possibilidade de receber herança de meu pai, caso um dia seja distribuído seus bens entre os filhos.

Fouad, algum outro acontecimento marcou sua vida por ter se tornado cristão?
Sim. Eu tinha um sócio, meu amigo de infância, e ele já sabia de minha conversão. Certo dia eu percebi algumas atitudes não muito honestas da parte dele e o chamei a atenção, ele não gostou e começou a me ameaçar dizendo que falaria para os outros que negociavam conosco que eu era cristão. Ai, eu lhe disse: Pode falar, não tem problema eu sou de Jesus e continuarei sendo Dele. Sai dali entrei em meu carro e rodei 600 quilômetros chorando e orando a Jesus. Passei dois dias em meu quarto e minha mãe me perguntou: o que aconteceu com sua empresa? Não disse nada a ela, mas depois dos dois dias, eu a procurei, lhe dei um beijo e disse: Mãe, eu perdi tudo. Só não lhe expliquei por qual motivo, mas disse que foi um mau negócio. Quando disse a ela que tinha perdido tudo, eu estava me referindo a parte material, meus bens. Pois minha maior riqueza é Jesus. Voltei ao Brasil e recomecei.

Pastor Jefferson, atualmente você está ligado a alguma agência de Missões?
Eu pertenci à Missão Horizonte, mas, desde que cheguei ao Brasil, estamos nos preparando, com o apoio de nossa igreja no Brasil, para viajar ao Níger, localizado no norte da África e cuja população é formada por 99% de muçulmanos. Estamos tendo o apoio também de uma base missionária na região, a World Horizons, também conhecida como WH Brasil. A nossa prioridade é viajar para o Níger em 2012.

Fouad, quais são seus planos para o futuro?
Eu quero continuar dedicando a minha vida para Jesus e levar a Palavra de Deus ao meu povo. Quero criar estratégias para alcançar o maior número de pessoas possível.

Jefferson você ingressou em alguma instituição a fim de se preparar para atuar no campo missionário?
Sim, eu treinei na Missão Horizonte América Latina, sob a liderança do pastor David Botelho, mas parte de minha preparação foi no Projeto Radical, da Missão Horizonte, que também reunia outros projetos missiológicos no Brasil, e está empenhado em treinar jovens e enviá-los aos países da Janela 10/40, ou seja, locais reconhecidos pela perseguição movida contra a Igreja.

Fouad, algum outro acontecimento marcou sua vida por ter se tornado cristão?
Sim. Eu tinha um sócio, meu amigo de infância, e ele já sabia de minha conversão. Certo dia, eu percebi algumas atitudes não muito honestas da parte dele e chamei a sua atenção. Ele não gostou e começou a me ameaçar dizendo que falaria para os outros que negociavam conosco que eu era cristão. Aí eu lhe disse: “Pode falar, não tem problema. Eu sou de Jesus e continuarei sendo dEle”. Saí dali, entrei em meu carro e rodei 600 quilômetros chorando e orando a Jesus. Passei dois dias em meu quarto e minha mãe me perguntou: “O que aconteceu com sua empresa?”. Não disse nada a ela, mas, depois dos dois dias, eu a procurei, lhe dei um beijo e disse: “Mãe, eu perdi tudo”. Só não lhe expliquei por qual motivo, mas disse que foi um mau negócio. Quando disse a ela que tinha perdido tudo, eu estava me referindo à parte material, a meus bens. Pois minha maior riqueza é Jesus. Depois disso, voltei ao Brasil e comecei outra empresa.

Pastor Jefferson, qual o seu conselho para aqueles que pretendem ser missionários?
Meu conselho é, principalmente, crer somente em Deus. Quando depositamos nossa fé no Senhor, nós não questionamos, mas simplesmente confiamos em sua orientação e assim conseguimos passar pelas adversidades, sejam elas de ordem financeira, espiritual, familiar ou qualquer outra. A partir do momento em que cremos completamente em Deus, passamos a acreditar no chamado que Ele nos fez.

Entrevista publicada no Mensageiro da Paz - Número 1518 - Página 11 - Novembro de 2011, CPAD
 
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